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A luta continua: democracia e justiça social como compromissos de vida

18 de out.
2 min de leitura

Aos 80 anos de idade, dos quais 60 dedicados às lutas em defesa da democracia e da justiça social, olho para minha trajetória com a convicção de que os princípios que orientaram minha vida pública permanecem tão necessários hoje quanto no passado.

Durante quase 24 anos de mandato parlamentar, jamais abri mão desses compromissos. As circunstâncias políticas mudaram, governos se sucederam, crises institucionais surgiram e foram superadas, mas minha compreensão sobre os fundamentos de uma sociedade democrática permaneceu inalterada.


Sou social-democrata por convicção. Acredito na democracia como fundamento da liberdade, na justiça social como condição da dignidade humana e no Estado como instrumento indispensável à promoção do bem comum.

Entretanto, sempre entendi que a defesa da democracia e da justiça social não pode ser patrimônio exclusivo de uma corrente ideológica. Deveria constituir um compromisso fundamental do centro, da direita e da esquerda.


Podemos divergir sobre os caminhos do desenvolvimento econômico, o papel do Estado, as políticas tributárias e as prioridades da administração pública. Essas divergências são legítimas e necessárias ao próprio funcionamento da democracia. O que não podemos admitir é que elas sirvam de justificativa para o autoritarismo, as rupturas institucionais, os golpes de Estado ou os retrocessos nos direitos sociais.

A democracia pressupõe pluralismo, respeito às diferenças, alternância de poder e submissão de todos à Constituição.


A justiça social exige que o desenvolvimento econômico seja acompanhado da redução das desigualdades, da ampliação das oportunidades e da garantia de serviços públicos de qualidade para toda a população.

Não existe democracia sólida onde prevalecem a intolerância, a corrupção e o desprezo pelas instituições. Tampouco haverá justiça social duradoura sem responsabilidade fiscal, educação de qualidade, segurança pública e respeito ao patrimônio coletivo.

Ao longo de minha vida parlamentar, procurei traduzir essas convicções em ações concretas: fiscalização dos recursos públicos, combate à corrupção, defesa dos servidores, fortalecimento das instituições e busca permanente de soluções para os problemas estruturais do Estado do Rio de Janeiro.


Sei que os resultados nem sempre correspondem à dimensão dos esforços. A transformação de uma sociedade é lenta, enfrenta resistências e frequentemente exige que diferentes gerações deem continuidade às mesmas lutas.

Mas o passar dos anos também ensina que a esperança não pode depender apenas das vitórias imediatas. Ela precisa estar fundamentada na consciência de que determinados princípios merecem ser defendidos independentemente das circunstâncias.

Aos 80 anos, compreendo que talvez não tenha tempo para testemunhar todas as transformações pelas quais lutei. Isso, porém, não diminui minha disposição de continuar trabalhando por elas.


O compromisso com a democracia e a justiça social não tem prazo de validade. É uma responsabilidade que ultrapassa mandatos, partidos e gerações.

Mais do que deixar realizações, desejo contribuir para a preservação de valores que considero essenciais à construção de uma sociedade livre, justa, solidária e verdadeiramente republicana.

Autoritarismo, golpes de Estado e retrocessos sociais, jamais!

A luta continua.

Por Luiz Paulo – Deputado Estadual (PSD)

 
 
 

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