As mudanças climáticas exigem prevenção, planejamento e responsabilidade
Os acontecimentos da última quarta-feira (29/07/26) deixaram uma marca profunda na população do Estado do Rio de Janeiro. A ventania, com rajadas superiores a 100 km/h em alguns pontos, provocou quedas de árvores, interrupção no fornecimento de energia elétrica, paralisação parcial dos sistemas de transporte, transtornos nos aeroportos, danos ao patrimônio público e privado e, infelizmente, também perdas de vidas humanas. Os reflexos foram sentidos em diversos municípios do estado e em outras regiões do Sudeste.
Para milhares de pessoas, o dia terminou sem luz, sem transporte regular, sem comunicação e, em muitos casos, sem conseguir voltar para casa. Hospitais, comércios, escolas e serviços públicos precisaram adaptar suas rotinas diante de um evento climático extremo que evidenciou a vulnerabilidade das nossas cidades.Não podemos mais tratar episódios como esse como acontecimentos isolados. A frequência e a intensidade dos eventos climáticos extremos aumentam em diversas partes do mundo. Ondas de calor recordes, secas prolongadas, queimadas, chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e ventanias cada vez mais severas já fazem parte da realidade brasileira.O Rio de Janeiro conhece bem essa realidade.
Ao longo dos últimos anos convivemos com tragédias provocadas por chuvas intensas na Região Serrana, enchentes em diversos municípios, deslizamentos de encostas, períodos de calor extremo e, agora, ventos com intensidade suficiente para comprometer toda a infraestrutura urbana.Essa nova realidade exige uma mudança de postura do poder público. Não basta agir apenas depois da tragédia. A prevenção precisa ser prioridade permanente.É necessário fortalecer a Defesa Civil, ampliar os sistemas de monitoramento meteorológico, modernizar as redes de distribuição de energia, realizar podas preventivas de árvores próximas à rede elétrica, investir na manutenção da arborização urbana, revisar planos de emergência e melhorar os protocolos de comunicação com a população.Também é fundamental que o planejamento urbano passe a considerar os efeitos das mudanças climáticas.
Obras de drenagem, contenção de encostas, preservação das áreas verdes, recuperação de rios e investimentos em infraestrutura resiliente não são despesas; são investimentos que salvam vidas e evitam prejuízos muito maiores no futuro. Na Assembleia Legislativa tenho defendido, ao longo dos meus mandatos, políticas públicas voltadas para a prevenção de desastres. A aprovação do Fundo Estadual para Prevenção e Resposta aos Desastres Naturais foi um passo importante, mas é indispensável que seus recursos sejam efetivamente aplicados em ações preventivas e não apenas após a ocorrência das tragédias.
Há também um papel que cabe a cada cidadão. É preciso acompanhar os alertas emitidos pelos órgãos oficiais, evitar deslocamentos desnecessários durante eventos severos, não permanecer sob árvores ou marquises durante ventanias, manter calhas e sistemas de drenagem limpos e conhecer os planos de emergência de sua comunidade. A prevenção começa com informação. As mudanças climáticas deixaram de ser um debate sobre o futuro. Elas já impactam o nosso presente.
A cada evento extremo cresce a responsabilidade dos governos em planejar, investir e agir com antecedência.O desafio climático será uma das maiores provas da capacidade de gestão das próximas décadas. Precisamos construir cidades mais resilientes, serviços públicos mais preparados e uma sociedade consciente de que prevenir custa muito menos do que reconstruir.A natureza está nos enviando sinais cada vez mais claros. Ignorá-los não é mais uma opção.



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