O valor da coerência na vida pública
- Luiz Paulo Corrêa da Rocha
- 3 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: 6 de jul.
Ao longo de minha vida pública, nunca enxerguei a política como profissão, mas como missão. Uma missão que exige estudo permanente, independência, coragem para enfrentar interesses poderosos e, sobretudo, coerência.
Recentemente, uma reportagem da Folha de S.Paulo, de 27 de junho destacou minha condição de decano da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Recebi esse reconhecimento não como uma homenagem pessoal, mas como uma oportunidade para refletir sobre o significado de permanecer tantos anos na vida pública mantendo os mesmos princípios que orientaram o início da minha caminhada.
Minha formação como engenheiro civil e professor ensinou que problemas complexos não se resolvem com improviso nem com discursos fáceis. Planejamento, responsabilidade e conhecimento técnico sempre fizeram parte da minha maneira de exercer os cargos públicos que ocupei ao longo da vida, tanto no Executivo quanto no Legislativo.
Aprendi muito cedo que o dinheiro público deve ser tratado com o mesmo cuidado que qualquer cidadão dedica ao orçamento de sua família. Foi essa convicção que me levou a dedicar boa parte do meu mandato à fiscalização das contas públicas, ao acompanhamento dos orçamentos estaduais, à participação em CPIs e à denúncia de irregularidades, muitas vezes enfrentando pressões e interesses que preferiam o silêncio.
Não foram poucas as batalhas. Denunciei aplicações financeiras de recursos públicos que hoje estão sob investigação, questionei operações que colocavam em risco o patrimônio dos fluminenses e sempre defendi que transparência não pode ser um discurso de ocasião, mas um compromisso permanente de quem exerce função pública.
Também participei de grandes debates sobre a recuperação financeira do Estado, a renegociação da dívida com a União, a defesa dos servidores públicos, dos aposentados e dos municípios. Em todos esses temas procurei agir com responsabilidade, apresentando alternativas viáveis e votando de acordo com minha consciência, jamais orientado por conveniências políticas.
A experiência me ensinou que a democracia precisa tanto da renovação quanto da memória institucional. Renovar é importante, mas preservar valores também é essencial. Um Parlamento forte depende da convivência entre novas ideias e a experiência acumulada daqueles que conhecem sua história, seu funcionamento e suas responsabilidades perante a sociedade.
Nunca medi minha atuação pelo número de discursos ou pela repercussão nas redes sociais. Prefiro que meu trabalho seja reconhecido pela qualidade das propostas apresentadas, pela firmeza da fiscalização e pela coerência das posições que assumi ao longo de décadas.
Continuo acreditando que a boa política é feita com diálogo, respeito às divergências, compromisso com a verdade e absoluto respeito ao interesse público. São esses valores que herdei de grandes referências da vida política brasileira e que procuro transmitir às novas gerações.
Ser o decano da Assembleia Legislativa não representa apenas o passar dos anos. Representa a responsabilidade de preservar a instituição, defender sua autonomia e continuar servindo ao povo do Estado do Rio de Janeiro com a mesma dedicação do primeiro mandato.
Os mandatos passam. Os cargos também. Mas a credibilidade construída pela coerência, pelo trabalho e pela honestidade permanece. É esse patrimônio que considero o mais valioso de toda a minha trajetória pública. Por: Luiz Paulo Corrêa da Rocha



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